Quem emite as normas internacionais de contabilidade

Se sua empresa está expandindo para mercados internacionais, você provavelmente já se deparou com a questão: quem emite as normas internacionais de contabilidade? A resposta é o IASB (International Accounting Standards Board), órgão responsável por estabelecer os padrões contábeis globais que guiam a apresentação financeira de empresas em diferentes países. Para negócios que atuam na exportação e importação, compreender essas normas é fundamental, pois elas garantem que suas demonstrações financeiras sejam reconhecidas e confiáveis no mercado externo.

Quando você opera internacionalmente, especialmente em setores como o de embarcações e tecnologia, a conformidade com as normas internacionais de contabilidade não é apenas uma questão de compliance — é um diferencial competitivo. Essas regras padronizam como você registra transações, avalia ativos e comunica sua situação financeira aos parceiros, investidores e órgãos reguladores globais. Uma estrutura contábil clara e alinhada aos padrões internacionais facilita negociações, reduz riscos e acelera sua entrada em novos mercados.

A JRG Corp entende que a internacionalização exige mais que logística e tributação: exige uma base contábil sólida. Por isso, apoiamos empresas a estruturar seus processos financeiros de acordo com as normas globais, garantindo que você esteja preparado para qualquer mercado.

Quem Emite as Normas Internacionais de Contabilidade?

As normas internacionais de contabilidade são emitidas pelo IASB (International Accounting Standards Board), um organismo privado e independente com sede em Londres, no Reino Unido. O IASB é o principal responsável pelo desenvolvimento e pela publicação das normas conhecidas como IFRS (International Financial Reporting Standards), utilizadas em mais de 140 países para padronizar a linguagem financeira entre empresas, investidores e reguladores ao redor do mundo.

Compreender quem emite essas normas é fundamental para qualquer empresa que opera no mercado internacional, pois a adoção das IFRS impacta diretamente a forma como as demonstrações financeiras são preparadas, auditadas e interpretadas por parceiros comerciais, instituições financeiras e autoridades regulatórias em diferentes jurisdições.

O IASB: O Principal Órgão Emissor das Normas Internacionais de Contabilidade

O Que é o IASB e Como Foi Criado

O IASB foi criado em 2001 como sucessor do IASC (International Accounting Standards Committee), organismo fundado em 1973 com o objetivo de harmonizar as práticas contábeis globalmente. A transição do IASC para o IASB representou uma mudança estrutural significativa: o novo conselho passou a contar com membros em regime de dedicação exclusiva, maior independência técnica e um processo mais rigoroso de elaboração de normas.

O conselho é composto por até 14 membros com experiência em auditoria, preparação de demonstrações financeiras, análise financeira e educação contábil, provenientes de diferentes regiões do mundo. Essa diversidade geográfica e técnica é deliberada: garante que as normas emitidas reflitam realidades econômicas variadas e possam ser aplicadas de forma consistente em mercados emergentes e desenvolvidos.

Estrutura e Funcionamento do IASB

O IASB opera sob a supervisão da Fundação IFRS, que cuida da governança, do financiamento e da estratégia institucional do organismo. O processo de elaboração de uma norma pelo IASB segue etapas bem definidas:

  1. Identificação do problema: o conselho identifica lacunas ou inconsistências nas normas existentes ou demandas do mercado.
  2. Pesquisa e consulta pública: são publicados documentos de discussão (Discussion Papers) e, posteriormente, minutas de exposição (Exposure Drafts) abertas a comentários de qualquer parte interessada.
  3. Deliberação: o IASB analisa os comentários recebidos e delibera sobre o conteúdo final da norma.
  4. Publicação: a norma é publicada em inglês e traduzida para diversos idiomas, incluindo o português.

Esse processo, chamado de due process, confere legitimidade técnica e democrática às normas emitidas, permitindo que preparadores, auditores, reguladores e usuários das demonstrações financeiras participem da construção das regras que os afetarão.

Quais Normas o IASB Emite: IFRS, IAS e Interpretações

O portfólio normativo do IASB abrange três categorias principais:

  • IFRS (International Financial Reporting Standards): normas emitidas a partir de 2001, quando o IASB assumiu as atividades do IASC. Exemplos incluem IFRS 9 (Instrumentos Financeiros), IFRS 15 (Receitas de Contratos com Clientes) e IFRS 16 (Arrendamentos).
  • IAS (International Accounting Standards): normas emitidas pelo antigo IASC e mantidas pelo IASB, muitas ainda em vigor. Exemplos: IAS 1 (Apresentação das Demonstrações Financeiras) e IAS 36 (Redução ao Valor Recuperável de Ativos).
  • Interpretações: emitidas pelo IFRIC (IFRS Interpretations Committee), esclarecem como aplicar as normas em situações específicas não tratadas diretamente pelos textos principais.

A Fundação IFRS: A Organização por Trás do IASB

Papel da Fundação IFRS na Governança das Normas Contábeis

A Fundação IFRS é uma organização sem fins lucrativos que supervisiona o IASB e garante sua independência operacional. Ela é governada por um grupo de Trustees (curadores) com representação geográfica equilibrada, responsáveis por nomear os membros do IASB, garantir o financiamento do organismo e revisar periodicamente a estrutura de governança.

A Fundação não participa diretamente da elaboração técnica das normas — essa atribuição é exclusiva do IASB —, mas estabelece os critérios de qualidade, transparência e prestação de contas que o conselho deve seguir. Além disso, a Fundação IFRS mantém o IFRS Advisory Council, um fórum consultivo amplo que reúne representantes de reguladores, preparadores, investidores e acadêmicos de todo o mundo.

ISSB: O Novo Conselho de Normas de Sustentabilidade da Fundação IFRS

Em 2021, durante a COP26 em Glasgow, a Fundação IFRS anunciou a criação do ISSB (International Sustainability Standards Board). O ISSB foi formalmente constituído em 2022 e tem como missão desenvolver normas globais de divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade para o mercado de capitais.

O ISSB opera de forma paralela ao IASB, mas dentro da mesma estrutura institucional da Fundação IFRS. Suas normas — as IFRS S1 e IFRS S2 — foram publicadas em junho de 2023 e representam um marco na integração entre relatórios financeiros e divulgações ESG (ambientais, sociais e de governança).

O Que São as Normas IFRS e Para Que Servem

As normas IFRS estabelecem princípios e requisitos para o reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação de transações e eventos nas demonstrações financeiras. Seu objetivo central é criar uma linguagem contábil comum que permita comparar demonstrações financeiras de empresas situadas em diferentes países, facilitando decisões de investimento, concessão de crédito e análise de risco.

Para empresas que atuam no comércio exterior, a adoção das IFRS é especialmente relevante. Parceiros comerciais internacionais, bancos estrangeiros e investidores globais exigem demonstrações financeiras preparadas segundo padrões reconhecidos mundialmente. No contexto de operações de exportação e importação, por exemplo, instrumentos financeiros como a carta de crédito são contabilizados de acordo com as IFRS, o que exige que as equipes financeiras das empresas dominem esses padrões.

Diferença entre IFRS Completo e IFRS para PMEs

O IASB reconhece que aplicar o conjunto completo das IFRS pode ser oneroso para empresas de menor porte. Por isso, em 2009, publicou o IFRS para PMEs (Pequenas e Médias Empresas), uma versão simplificada e autônoma das normas, voltada a entidades que não têm obrigação pública de prestação de contas — ou seja, que não possuem ações ou títulos de dívida negociados em mercados públicos.

As principais diferenças entre o IFRS Completo e o IFRS para PMEs incluem:

  • Menor volume de divulgações obrigatórias nas notas explicativas.
  • Simplificação nos critérios de reconhecimento e mensuração de ativos financeiros.
  • Tratamento simplificado de instrumentos financeiros complexos.
  • Revisão periódica do conjunto normativo (a cada três anos, aproximadamente), em vez de atualizações contínuas.

IFRS S1 e IFRS S2: As Normas Internacionais de Sustentabilidade

A IFRS S1 estabelece requisitos gerais para a divulgação de informações sobre riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade que são relevantes para os usuários das demonstrações financeiras. Já a IFRS S2 foca especificamente nas divulgações relacionadas às mudanças climáticas, incluindo riscos físicos e de transição, bem como métricas e metas de emissões de gases de efeito estufa.

Juntas, essas normas representam a resposta do sistema contábil internacional à crescente demanda por transparência ESG. Para empresas brasileiras com operações internacionais, a familiarização com essas normas é cada vez mais estratégica, especialmente diante da pressão de parceiros comerciais europeus e norte-americanos por relatórios de sustentabilidade padronizados.

Como as Normas Internacionais de Contabilidade Chegam ao Brasil

O Papel do CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis)

O CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis) é o organismo brasileiro responsável por traduzir e adaptar as normas emitidas pelo IASB para o contexto nacional. Criado em 2005 pela Resolução CFC nº 1.055, o CPC reúne representantes de entidades como CFC, CVM, Bacen, Susep, Receita Federal, ABRASCA, APIMEC e IBRACON.

O CPC emite Pronunciamentos Técnicos (CPC XX), que correspondem às IFRS e IAS do IASB, além de Interpretações (ICPC) e Orientações (OCPC). Esses documentos são submetidos à aprovação dos órgãos reguladores competentes antes de se tornarem obrigatórios.

O Papel do CFC (Conselho Federal de Contabilidade)

O CFC (Conselho Federal de Contabilidade) é o órgão que regulamenta o exercício da profissão contábil no Brasil e tem competência para aprovar os pronunciamentos do CPC por meio de Resoluções ou Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC TG). Ao aprovar um pronunciamento do CPC, o CFC torna sua aplicação obrigatória para as entidades sujeitas à sua jurisdição, que inclui a grande maioria das empresas brasileiras não reguladas por outros órgãos específicos.

O Papel da CVM e do Banco Central na Adoção das IFRS no Brasil

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) exige que as companhias abertas brasileiras apresentem suas demonstrações financeiras consolidadas em conformidade com as IFRS completas desde o exercício de 2010. Essa exigência está prevista na Instrução CVM nº 457/2007 e foi reforçada por normativas posteriores.

O Banco Central do Brasil (Bacen), por sua vez, determina a adoção das IFRS para as instituições financeiras autorizadas a funcionar no país, com cronograma e requisitos específicos para o setor bancário. Tanto a CVM quanto o Bacen aprovam os pronunciamentos do CPC em suas respectivas esferas de atuação, criando um sistema de convergência regulatória robusto.

Grau de Aderência dos Pronunciamentos do CPC às Normas do IASB

O Brasil adota uma estratégia de convergência plena com as IFRS, o que significa que os pronunciamentos do CPC são elaborados para ser substancialmente idênticos às normas do IASB. Na prática, as diferenças existentes são pontuais e decorrem, em geral, de aspectos tributários ou de legislação societária específica do país.

O próprio IASB reconhece o Brasil como um país com alto grau de adoção das IFRS. Empresas brasileiras com operações internacionais — como aquelas que utilizam instrumentos de financiamento ao comércio exterior, incluindo cartas de crédito contempladas — se beneficiam diretamente dessa convergência, pois suas demonstrações financeiras são mais facilmente compreendidas por parceiros e instituições financeiras estrangeiras.

Histórico da Internacionalização das Normas Contábeis

Do IASC ao IASB: A Evolução do Órgão Emissor

O processo de internacionalização das normas contábeis tem raízes na criação do IASC em 1973, em Londres, por iniciativa de organismos profissionais de contabilidade de nove países: Austrália, Canadá, França, Alemanha, Japão, México, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos. Durante quase três décadas, o IASC emitiu 41 normas IAS e estabeleceu as bases da harmonização contábil global.

Em 2001, o IASC foi reestruturado e deu lugar ao IASB, com uma governança mais robusta e membros em dedicação exclusiva. A partir daí, o ritmo de desenvolvimento normativo se acelerou e a adoção global das IFRS ganhou tração, especialmente após a decisão da União Europeia de exigir as IFRS para companhias abertas a partir de 2005.

Adoção das IFRS no Brasil: Marco Legal e Cronologia

No Brasil, o processo de convergência às normas internacionais foi impulsionado pela Lei nº 11.638/2007, que alterou a Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/1976) e criou as condições legais para a adoção das IFRS. Os principais marcos cronológicos incluem:

  • 2005: criação do CPC.
  • 2007: publicação da Lei nº 11.638 e da Instrução CVM nº 457, que determinou a adoção das IFRS pelas companhias abertas.
  • 2008: emissão dos primeiros pronunciamentos do CPC.
  • 2010: primeiro exercício fiscal com demonstrações consolidadas em IFRS plenas para companhias abertas.
  • 2013: adoção do IFRS para PMEs pelas empresas de médio porte não abertas.

Panorama Global da Adoção das Normas Internacionais de Contabilidade

Atualmente, mais de 140 jurisdições exigem ou permitem o uso das IFRS para companhias abertas. A União Europeia, o Reino Unido, o Canadá, a Austrália, o Brasil, o México, a África do Sul e a maioria dos países da Ásia-Pacífico integram esse grupo. Os Estados Unidos permanecem como a principal exceção relevante, mantendo o US GAAP (Generally Accepted Accounting Principles) como padrão obrigatório para empresas listadas na SEC, embora empresas estrangeiras listadas nos EUA possam apresentar demonstrações em IFRS sem reconciliação desde 2007.

Esse panorama de adoção ampla reforça a importância estratégica das IFRS para empresas brasileiras com ambições internacionais. Demonstrações financeiras preparadas segundo as IFRS facilitam o acesso a mercados de capitais estrangeiros, a obtenção de financiamentos internacionais e a negociação com parceiros comerciais em qualquer parte do mundo.

Perguntas Frequentes sobre Emissão das Normas Internacionais de Contabilidade

Quem emite as normas internacionais de contabilidade?
As normas internacionais de contabilidade são emitidas pelo IASB (International Accounting Standards Board), organismo independente com sede em Londres, responsável pela publicação das normas IFRS e pela manutenção das normas IAS herdadas do IASC.

Qual é a diferença entre IASB e Fundação IFRS?
O IASB é o conselho técnico que elabora e publica as normas contábeis. A Fundação IFRS é a organização sem fins lucrativos que supervisiona o IASB, cuida de sua governança, financiamento e estratégia institucional. A Fundação não elabora normas; essa função é exclusiva do IASB.

O Brasil adota integralmente as normas emitidas pelo IASB?
O Brasil adota as IFRS com alto grau de convergência. As companhias abertas são obrigadas a apresentar demonstrações consolidadas em IFRS plenas desde 2010. Para as demais entidades, os pronunciamentos do CPC — que espelham as normas do IASB — são aprovados pelo CFC e pelos reguladores setoriais competentes.

Qual órgão brasileiro é responsável por adaptar as normas do IASB?
O CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis) é o organismo responsável por traduzir e adaptar as normas do IASB para o Brasil, emitindo pronunciamentos técnicos que são posteriormente aprovados pelo CFC, pela CVM, pelo Banco Central e por outros reguladores.

As normas IFRS são obrigatórias para todas as empresas no Brasil?
Não para todas. As IFRS plenas são obrigatórias para companhias abertas (por determinação da CVM) e para instituições financeiras (por determinação do Bacen). Para empresas de médio porte não abertas, aplica-se o IFRS para PMEs, por meio dos pronunciamentos do CPC aprovados pelo CFC. Microempresas e empresas de pequeno porte seguem normas simplificadas.

O que são as normas IFRS S1 e IFRS S2 emitidas pelo ISSB?
A IFRS S1 estabelece requisitos gerais para divulgação de riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade nas demonstrações financeiras. A IFRS S2 trata especificamente das divulgações sobre mudanças climáticas, incluindo riscos físicos, riscos de transição e metas de emissões. Ambas foram emitidas pelo ISSB (International Sustainability Standards Board), um conselho criado pela Fundação IFRS em 2022, e publicadas em junho de 2023.

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